Eu tenho um lugar só meu,
só teu...
Que me pertence,
Que a Deus pertence
Tenho o meu lugar que visito nos meus sonhos
na dureza dos meus dias
Sem mágoa
Sem dor de poeta esquecido
No meu lugar tenho chuvas, como prantos,
pecados e perdão da solução divina
que entrego insistentemente a minha vida...
Sou assim, como os lugares mistérios,
quem dera que fossem sagrados.
No lugar do divino deposito a minha alma,
Fé inquebrável
Como a lua que volta sempre no mesmo lugar.
Terno sentir de palavras, cai num semblante
confortante
Tenho a magia das sensações simples
do teu sorriso inocente pela manhã,
da tua voz de veludo, anjo matinal da minha vida
Lá fora, o fresco de África, um galo anuncia no quintal
mais um dia, uma hora que desperto.
Cristo, passeia dentro da minha vida, numa oração constante
única.
As quatro paredes da minha casa, amareladas com tintas de
areia, albergam nossos corpos esperando por mudanças.
Terra vermelha, colorida por flores de várias cores, recebem chuva poética,
caindo na telha de zinco, escorrendo pelas paredes beijando incenssantemente
o chão sedento... Daqui deste lugar, de várias vidas sofredoras, abraçadas ao
Tempo, entregues ao destino inocente, sopra o vento da esperanças,
e aqui nasce vidas para todo o sempre.
Sinto que tudo mantém-se intacto na fragilidade do sentimento.
Cidade desorganizada, caos constante,
ninguém tem destino próprio, nem o
regulador de transito...
Há pavimentos esburacados, como se de uma
vala comum se tratasse, postes de electricidade
despidos de luz, alguns partidos, empenados com pelo
tempo, ou pela mão humana.
Há vestígios de destruição, em junção com a desordem fazem um todo.
Há lágrimas de perdição, de desconforto individual.
Há casas sem o mínimo de interesse, de estética cega, ruas sem fim,
e de todos os sentidos vão dar ao vazio.
Condenados pelo tempo, anulação de transportes, confrontados pela
aparência cega, sem compromisso com vida mas sim com a morte,
o negro das vestes que adormecem nos quintais desordenados, de portões
mortos, enferrujados pelas chuvas, de mansinho caem sem perdão,
sem hora marcada.
Desta podridão de vida, de lamento,
sem saida, esperamos todos pela hora da mudança,
sem endereço de ruas, de bairros sobrelotados, sem pavimentos,
de esgotos ao Céu aberto, valas entupidas, senhoras vendendo
"pinchos" misturados pela poeira, temperados pelo suor.
Até quando?
Quando não mais houver saída...
Quando não mais houver a luz da esperança,
do sonho por que todos anseiamos.
Deste lugar, procuro o que quero guardar.
Em vão espero...
No outono das palavras frias
secas, amareladas pela geada,
orvalhos de olhos tímidos,
sensação ausente de sentimento
fugidio.
Completo, simples e único
esse sentido exacto de vidas
abertas ao sentimento nunca
pedido, mas acontecido.
Da minha carne, outra carne de
corpo presente abençoado,
protegido pelo divino.
No meu peito protector
entregas a tua paz de espiríto,
única de ti, meu anjo amparado
por amor.
A dádiva divina abriu a porta da minha vida,
Deus do mundo, eleito salvador, concedeste-me
o milagre da vida.
Eu sou vosso fiel servidor
Sou aquele que enfeita o caminho
para teus sagrados pés
pisarem a terra que cobro com os meus
poemas de devoção
de humildade presente
patente
em mim.
Sois vois que me ensinais o caminho da vida,
da verdade, do amor,
Sois vois que me educais no sentido prático
de olhar na simplicidade da existência humana
E do meu lugar, desta casa que habito
eu vos convido a entrar, nem que seja por um minuto
Tenho nos meus braços
Ejahir Angel, sangue do meu sangue,
fruto da minha essência,
o lado sagrado da minha vida.
Obrigado!!!
(Dedicado a minha filha)
Neste lugar de contratempo
de olhares perdidos nas asas
da esperança, espera-se, busca-se
o infinito dos nossos dias, numa estrada
sem fim, sem destino, de hora marcada com
o tempo.
Eu tenho os dias marcados nas mãos de quem
trabalha sem pensar no manhã, assim como tu
que vives entregando-te a vida sem medo, sem pranto,
de lágrimas secas.
A vida so te dá o que suportas,
o teu fardo, é leve comparado
com a cruz de Cristo.
Fonte luminosa de amor
vivo
mágico,
vem e deita-te ao lado de quem te salva.
No infinito dos nossos dias, reside a resposta
da procura.
Eu tenho poemas...
Muitos, muito deles sem título,
outros adormecidos aonde as lágrimas
secam com o sopro do vento.
eu tenho poemas, de Fé,
de amor, de vitórias, de derrotas,
amargas, de sabores perdidos
nos recantos da alma.
Eu tenho poemas que tocam o Céu,
voam como anjos, vivem como Deus.
São reais...
Mágicos de sentido exacto...
Únicos que são a minha essência.
Eu tenho poemas que são o meu rosto,
são tudo que eu posso ser, até no mundo
dos sonhos.
Eu tenho poemas que são fruto da benção, do amanhã
que chega, vestido de aurora, eu trago a poesia vespertina
do povo que se entrega a vida sem medo,
das casas destruidas, dos templos revestidos
de amor, da luta constante, a vitória é uma meta que
se atinge de olhos fechados mas de coração aberto.
A essência da vida, responde-nos com persistência
de viver, sem medo do amanhã.
Talvez, todas as certezas são apenas momentos,
que temos, usfruimos sem pedir, ou insistimos na mesma rota
aonde passam todos os erros que cometemos.
A vulgaridade dos sentidos
leva-nos ao sentido inverso da vida
Resta-nos esperar, até que cheguemos
a um ponto de partida sem hora marcada
de chegar... A outra margem.
Sei de cor, os traços que enfeitam a tua alma,
as cores que nunca se apagam, perduram
na insensatez do Tempo.
Sei de mim, quando me sinto. Agora sei
que terei outros corpos nos meus braços
gerados por mim.
Outras vidas que serão minhas vidas.
Agora sei que tem sentido a minha poesia
ficará sempre nos teus olhos de deusa enfeitada
de amor.
Vidas... São dádivas, milagres sentidos
existentes.
Os pombos amanheceram cedo... No chao espalhei arroz branco
seco, no Ceu varios corvos com inveja e ganancia.
Nas ruas sem asfalto, o chao lamacento de mais um dia chuvoso
num pais tropical, encalhado pela corrupçao.
Na correria matinal, crianças procuram o pequeno almoço
numa mesa nua de pratos cansados.
O pai nao trabalha...
A mae chora num canto o negocio de uma vida vazia,
o irmao mais velho perdido no alcool encostado num muro
envelhecido pela poeira triste da vida, rodeado de moscas
de varias cores.
A irma mais nova com olhos de esperança, brancos e aconchegantes,
dentes alinhados dizendo constantemente, que um dia tudo sera melhor.
No melhor das palavras da pequena reside a sensatez, humildade
e simplicidade de encarar a vida que tao curta parece longa.
Deste sol quente que me torna a pele negra não de solidão,
mas de bem sentir interior, vislumbro o amparo da mão divina sobre a sombra que permaneço.
Do grito interno revolta mansa como mar sem ondas, colho nas mãos negras queimadas pelo sol matinal, o sossego espiritual, neste caminhar de horas silenciosas. Darei sangue...
Formarei corpos, de outros corpos Herança genética, representantes da minha essência, benção celestial. Não mais temerei
Não mais vacilarei
Nestas asas que me cobrem entrego-me sem receio.
Tomai-me...
Cantai-me, junto com os salmos sagrados, numa nova página de linhas confortantes.
Darei um minuto de mim.
União
que me liga a ti, nos teus gestos que me
cativam, nas tuas palavras que me fortificam
alimentando-me
saciando-me
Como um ser sedento de amor...
Há minutos sem ti que parecem dias
de solidão e ausência sentida.
Como um deserto espera pela chuva
na ansiedade do vento vem a esperança
vestida de anjo.
Abraça-me forte com os teus braços
de raízes de embondeiro, faz caminhos
secretos na minha alma que se deleita
com o toque suave do teu jeito de ser.
As derrotas sao meras passagens como
desfolhar um livro de folhas transparentes.
Posso cair (...)
Mas sei que sempre vou erguer-me ainda
mais forte. 'E a lei da minha sobrevivencia.
Cortar as asas a um passaro, elas voltam a crescer
e a liberdade nasce ainda mais forte, cortando o Ceu,
beijando o vento entusiasticamente.
Vitoria, de cada dia que respiro o ar profundo
que me saem dos pulmoes, como o rio que derruba montanhas
nos bracos da correnteza.
Choram-me desilusoes (...)
Magoas que atravessam a minha memoria
Como os trovoes que invandem a negritude
de uma noite adormecida.
A minha vitoria nao sera apenas minha
'e de quem me tem no bom sentimento
das palavras de afecto guardadas no lugar
secreto e especial do coracao.
Eu quero um poema
sem cor
sem dor
sem mácula, revestido de inocência
Eu quero um poema entranhado no corpo
como o sangue que me ferve nas veias
Quero o mar e o rio ao mesmo tempo
lavando-me a alma
na calmaria vivencial.
Quero que as minhas canetas sejam espadas
os meus livros o meu escudo.
As minhas derrotas sejam as minhas vitórias
e no impossível encontrar o possivel
das soluções exactas como num poema
de olhos transparentes.
Tenho poesia...
Tenho-a entre maos feridas...
Doridas...
Ao meu redor so tenho Deus,
tudo que amo esta distante,
do outro lado do oceano.
Solitario...
Anjo perdido de asas quebradas,
a terra sera sempre um lar como
uma casa vazia, sem mesas nem cadeiras
de retratos com rostos invisiveis
E aqui
neste quarto de paredes revestidas
de um amarelo envelhecido tenho-me
com o corpo entregue ao destino.
Esperam-me abracos,
lagrimas de saudade,
num momento reciproco.
Como uma brisa de amor.
(foto retirada da net)
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