Quinta-feira, 11 de Agosto de 2005

Uma terra chamada Esperança.

Uma estrada deserta, caminhos de terra batida separados por árvores despidas pelo o forte vento quente. Árvores chorando o adeus das folhas, vidas esquecidas neste deserto de almas. Uma estação aonde apenas passa um comboio fantasma, relógios á muito esquecidos pelo o tempo, ponteiros presos a hora que um dia foi hora, minutos, segundos. Num adeus perpétuo, até a eternidade do silêncio. Um deserto de lágrimas percorrem rostos que ainda restam e sobressaem nas janelas entreabertas, nas portas com números, ruas sem nomes. As paredes dos quartos repletos de retratos, de recordações que alimentam a tristeza e resistem ao tempo. As últimas dedicatórias de amor:" Minha vida é tua... Tua vida é minha..." ainda escritas nas paredes outrora brancas, agora marcadas pelo o esquecimento.


Uma estrada finita... Uma estrada como a vida, mortal e presente. Nas ruas ainda notam-se o deambular de cães perdidos, de gatos em cima dos telhados de zinco. Ouvem-se ainda vozes que têm a esperança semeada no coração. Vozes que amam a estrada da vida. Paredes perdidas, ausentes, caiadas de dor. Sementes espalhadas no chão a espera que os deuses sejam justos. Uma imagem perdida no escuro, uma sombra de um corpo que se mistura na poeira da terra batida, num adeus que se entrega até ao dia seguinte. A um dia que se espera como quem espera por um comboio que nunca mais chega. Nesse recanto de flores que esperam a chuva de braços abertos. De moinhos puxados pelo o vento. Sopra Deus as últimas gotas de esperança nos corações que ainda persistem na entrega dos dias. Alguns passáros ainda insistem nos ninhos fazendo-os nos cantos da casa, junto as teias de aranhas que brilham com a luz do sol. Poços de água secos, a chuva virou as costas, o vento não leva a voz da terra. O Chão, abre-se ouvindo o eco da dor das raizes. Um lago ainda guarda as últimas gotas de água, abraçando peixes, algas, e plantas que adormecem a beira do lago. Grilos ainda cantam as serenatas das noites de luar. Corvos passeando, o voou da cotovia embelezando os Céus. O vento abre e fecha as janelas, encosta as portas por causa da poeira. O Tempo, amargo, não trás nada de novo, talvez um dia, talvez um dia... 


A demora é longa mas o sentir de luta e sobrevivência é forte e duradoura. A esperança é a voz de Deus. Por isso a terra chama-se: Esperança...


publicado por Ejamour de Carvalhais às 17:16
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13 comentários:
De Anónimo a 17 de Agosto de 2005 às 15:10
Tão atmosférico, tão sentido! E o sabor a esperança é bem forte! Beijos, continuação de boa semana :-)Dora
(http://www.atrasdaporta.blogs.sapo.pt)
(mailto:A_Dora@sapo.pt)


De Anónimo a 17 de Agosto de 2005 às 15:05
Olá, gostei imenso do teu blog!
Já agora dá uma vista de olhos pelo meu e comenta...
Voltarei mais vezes...
Tudo de bom p ti!
http://www.sensacoesirisorias.blogspot.com (http://www.sensacoesirisorias.blogspot.com)

Bjs,
Vero.veronica
</a>
(mailto:veromds@hotmail.com)


De Anónimo a 17 de Agosto de 2005 às 00:35
Muito interessante o que consg transmitir, excelente. Hj é um dia especial, passa lá por "casa" sff, é tb para ti. Beijo gdrMiss Lust
(http://missluxuria.blogs.sapo.pt)
(mailto:lust2@sapo.pt)


De Anónimo a 16 de Agosto de 2005 às 22:52
E que assim seja!
.
.
Miguel
(http://vertentespoesia.blogspot.com/)
(mailto:as1140188@sapo.pt)


De Anónimo a 16 de Agosto de 2005 às 20:47
Passei apenas para te deixar um beijo... Um beijo doceMissLadyMystery
(http://MundoDosSonhos.blogs.sapo.pt)
(mailto:lovespellyou@portugalmail.pt)


De Anónimo a 16 de Agosto de 2005 às 10:33
Um texto lindissimo sobre a tristeza mas misturada com a esperança.. Sim que exista sempre esperança no dia em que ela acabar, nao existir...talvez nao exista mais nada. Beijocas moolightgirl
(http://meninadoluar.blogs.sapo.pt/)
(mailto:starlightgirl_m@hotmail.com)


De Anónimo a 15 de Agosto de 2005 às 22:35
Talvez um dia... esperança... sim, devemos tê-la. Tuas palavras neste texto, pesam na angústia do sentir, são tristes, mas de qq forma gritam e se misturam entre lágrimas e esperança. Há momentos assim em nossa vida, mas há um alvorescer, há uma luz que se quisermos enxergar, ela brilhará. Beijo meu.anne
(http://www.anne_voce.blogger.com.br)
(mailto:ancembranelli@yahoo.com.br)


De Anónimo a 12 de Agosto de 2005 às 20:41
Esperança. Sim! (agradeço de novo por mais um comentário)semasas
(http://semasas.blogs.sapo.pt/)
(mailto:semasas@sapo.pt)


De Anónimo a 12 de Agosto de 2005 às 16:46
Gostei verdadeiramente da força que me pareceu transmitida...um texto muito especial. Óptimo fds..bjksintemporal
(http://intemporal.blogs.sapo.pt)
(mailto:intemporal@sapo.pt)


De Anónimo a 12 de Agosto de 2005 às 13:54
Um texto forte, denso, reflexivo. Uma descrição que nos conduz a um lugar triste, onde o próprio Tempo parece ter esquecido de chegar... tudo murchando ao sabor de um vento que não refresca, que se faz lento, com medo de que seu canto desperte fantasmas adormecidos; rostos de olhares longos e amortecidos; casas, ruas e coisas, desbotadas, antigas, enfeiadas... ah, que cena mais triste, amigo! Apesar do nome do lugar, percebe-se que nem a esperança consegue ali chegar... Lembrou-me uma viagem de trem que fiz anos atrás, nos idos dos meus 10 anos, passando por uma cidadezinha perdida num interior qualquer, onde estranhamente não se viu a habitual algazarra de crianças a correr e acenar... Normalmente o trem de ferro provoca essa magia nos moradores do lugar, que ficam a esperar que rostos sorridentes das janelas de vagões possam apreciar a farra que é feita, e cuja recompensa é dada através de acenos e gritinhos de alegria. Naquela cidade não houve festa, algazarra, acenos, nada... e acredito que o fato entristeceu a todos os viajantes, pois nos momentos seguintes, até a próxima cidade, todos pararam de conversar, e só se ouvia o ranger das rodas nos trilhos... Deve ter sido numa cidade como essa da sua descrição. Triste sua postagem, triste meu comentário, e triste... muitas vezes... a própria vida. Mas deixo-lhe no beijo e no afago, um pouco da alegria que estão fazendo as crianças no pátio de uma escola que consigo divisar da minha janela. Vem delas a alegria que estou a te mandar...Mily
(http://calunguinha.blogs.sapo.pt)
(mailto:calunguinha13@hotmail.com)


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.Autor:Ejamour de Carvalhais

Não sou poeta, nunca fui, nunca desejei sê-lo. Sou apenas amante das palavras... Nesta folha negra deposito o que a minha alma me diz ao ouvido. Voz singela, de veludo, encanto que sinto a devorar-me o corpo. Rendo-me a simplicidade sentida da minha Alma, Fé, Essência que me guia na luz do amor. (Obrigado pelas visitas e comentários...)

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