Terça-feira, 2 de Agosto de 2005

A face das lágrimas.

Nunca se abandona um grande amor, porque a dor tão cedo o Tempo não apaga. O vento soprava mansinho as lágrimas escorriam pelo o rosto. Nunca tivera tanta certeza que tudo terminava. Pedia um abraço era recusado, pedia um sorriso era forçado. As lágrimas, essas eram sinceras, triste e reais. Eram lágrimas que escreviam a ausência antes do adeus.


Por favor não chores um dia me darás razão. Um dia saberás entender a minha decisão. Deixa-me partir, se o Tempo quiser um dia voltarei. O Tempo... Quem realmente ama não pede Tempo. Tempo para ter certeza do amor? Quando não se tem certeza não se deve dizer :"amo-te"...


Um diálogo de dor, de pranto invadia a noite. Não me estas a compreender nem aceitar. As interrogações não cessavam: Aonde errei? Que mal fiz a Deus? Porquê? O vazio respondia. O olhar outrora fugaz e cativante, agora triste e sem brilho. Pergunta ao teu coração se realmente é verdade que queres partir e deixar um amor que verdadeiramente te ama. Pergunta e responde-me... Fez-se silêncio. Silêncio esse que parecia uma eternidade.


Não quero ver-te a sofrer. Quero que sejas feliz, mas eu não te posso fazer feliz...


Então se não me podes fazer feliz porque me fizeste acreditar que me amavas? É essa ilusão que não saberei sobreviver. Cada vez que dizias "amo-te" eu voava, sem sair da terra, tocava as estrelas, beijava a lua. Diz ao meu coração o que farei com esse amor que fica... Não sei quem entregarei.


Enquanto isso todas as formas de silêncio ficaram perdidas na noite. Os rostos desapareceram. Os passos na calçada arrastavam a dor, o cheiro do mar perdido nos bolsos do casaco. Mantive-me sereno a observar. Alguém ficaria entregue a si próprio. Alguém teria de perder-se para de novo encontrar-se. A noite foi longa, dolorosa. No telemóvel tão cedo não iria aparecer aquele nome. Ainda chegou a enviar cartas de amor, ramos de flores, em vão. Ela tomara uma decisão repentina, sem pensar no outro lado, na outra face. A face que nesta noite chamou-se a face das lágrimas.


publicado por Ejamour de Carvalhais às 12:25
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17 comentários:
De Anónimo a 4 de Agosto de 2005 às 12:12
tão triste... mas tão tocante e tão belo... *Lost in Space
(http://www.rainhadovazio.blogspot.com)
(mailto:helenaetrusca@msn.com)


De Anónimo a 4 de Agosto de 2005 às 02:02
Ah, meu amigo... esse texto despertou tantas lembranças em mim! A dor de uma despedida assim, mesmo quando o coração tenha se preparado aos pouquinhos, mercê de encontros desmarcados, respostas evasivas... a gente nunca se prepara para o momento, porque sempre acha que aquele fatídico instante vai custar a chegar... mas quando chega vem arrebentando com todos os sonhos, destruindo esperanças, provocando uma dor tamanha que o coração parece explodir em mil pedaços, a alma se esfacela em lágrimas que irrompem pelos olhos e nos inunda de uma tristeza tão grande, de uma dor tão profunda, que parece nunca vai acabar. É um tormento as dúvidas que ficam, as mágoas, o ressentimento... que só dissolvem no tempo se o coração conseguir atingir o estágio do perdão, do compreender... mas tão difícil chegar lá! Enfim, amigo, a vida tem que continuar. Se foi apenas uma página poética, parabéns pelo texto. Se foi um desabafo... acredite, você não está sozinho nessa caminhada inglória de amar e ver o ser amado partir... No beijo e no afago, o carinho maior do meu coração. Mily
(http://calunguinha.blogs.sapo.pt)
(mailto:calunguinha13@hotmail.com)


De Anónimo a 3 de Agosto de 2005 às 10:40
vim agradecer o primeiro comentario no meu blog. gostei do que li por aqui.
semasas
(http://semasas.blogs.sapo.pt)
(mailto:semasas@sapo.pt)


De Anónimo a 3 de Agosto de 2005 às 10:21
como doi ter de apagar da nossa vida alguém que de uma forma ou de outra quase nos forçou a "abrir a porta", talvez uma porta que queriamos manter fechada, talvez a porta proíbida, alguém que nos fez acreditar em sorrisos, em palavras, que nos fez sorrir de felicidade cada vez que o telefone tocava, alguém que com o tempo foi ficando cada vez mais importante e que de repente, simplesmente parte sem justificação....


beijinho, obrigada pela visitaangelica
(http://facilafinal.blogspot.com/)
(mailto:angelica-30@hotmail.com)


De Anónimo a 3 de Agosto de 2005 às 09:58
Um poema que toca os corações. Bem haja! :)Maria do Céu
(http://www.maisquepalavras.blogs.sapo.pt)
(mailto:mariaceucosta@sapo.pt)


De Anónimo a 3 de Agosto de 2005 às 09:36
Lindo o poema tocou muito em meu coração...
De quem falarias???
Não respondas... eu sei a resposta...
Beijinhos doces.Linda
</a>
(mailto:biaola@hotmail.com)


De Anónimo a 3 de Agosto de 2005 às 00:40
Olá! Vim retribuir a sua visita ao meu blog e gostei muito de ler tudo o q por aqui se escreve! Vou voltar com toda a certeza! O último texto fez-me pensar... é tão doloroso perder aquele q faz parte de nós, o chão abre-se, tudo deixa de fazer sentido é como se nós tivessemos que aprender a respirar de novo..... pelo menos era isto q eu sentia se perdesse o meu namorado! BeijinhosMargarida
(http://www.aosabordovento.blogs.sapo.pt)
(mailto:margarida-78-leal@sapo.pt)


De Anónimo a 2 de Agosto de 2005 às 21:11
E quando não se quer avançar... viver... mas o Amor está lá bem presente! Ou talvez não seja Amor?

Beijovulnerable
(http://asasdanjo.blogspot.com)
(mailto:vulnerable@portugalmail.pt)


De Anónimo a 2 de Agosto de 2005 às 20:15
gostei do que li. . . beijinhosarlequim
(http://carlequim.blogs.sapo.pt)
(mailto:carelquim@sapo.pt)


De Anónimo a 2 de Agosto de 2005 às 18:50
"O amor pergunta à amizade: mas para que é que tu serves? E a amizade responde: sirvo para secar as lágrimas que tu fazes correr.".



c'est moi
</a>
(mailto:nokinhas@gmail.com)


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.Autor:Ejamour de Carvalhais

Não sou poeta, nunca fui, nunca desejei sê-lo. Sou apenas amante das palavras... Nesta folha negra deposito o que a minha alma me diz ao ouvido. Voz singela, de veludo, encanto que sinto a devorar-me o corpo. Rendo-me a simplicidade sentida da minha Alma, Fé, Essência que me guia na luz do amor. (Obrigado pelas visitas e comentários...)

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