Segunda-feira, 20 de Junho de 2005

Fui-me de mim mas deixei-me ficar...

Eu já fui mar, vento, rio, chuva que cai beijando o chão lamacento. Eu já fui o sorriso da lua, fui sombra de corpos felizes. Fui o ódio, o amor, fui o grito de dor. Já fui os beijos que não senti, os amores que não amei. Fui a loucura, os desejos de corpos quentes. Eu já fui criança perdida, alegre e triste.


 


Eu já fui o silêncio das almas. Fui vítima, inocente, culpado, imperfeito. Fui uma multidão, fui um só corpo.


Eu já fui lágrimas, fui passado, presente nunca cheguei a ser o futuro.


Eu já fui a derrota, a vitória, a sobrevivência. Eu já fui eu, outro, outros, fui mistérios, segredos obscuros.


 


Eu já fui árvore despida, rio sem nome, estrela cadente que cai em lugar algum… Fui deserto, animal selvagem, já fui um barco no fundo do mar, luz apagada no túnel, fui os olhos da morte, a alegria da vida. Fui livros abertos, esquecidos, fui a esperança, a crença e descrença.


 


Eu já fui o triste olhar de uma vida. Fui a solidão, escuridão sentida, fui uma vela acesa num quarto escuro. Fui uma música de amor, um poema perdido, incompleto. Já fui anjo com asas de amor. Fui tempestades, relâmpagos, fui a sombra do luar junto ao mar.


 


Eu já fui as serenatas que amaram um tempo, um momento. Já fui corações que se perderam por amor. Fui o grito silencioso de vidas que se procuram. Já fui a perdição, todas as formas de amor. Fui labirinto, tempo esquecido, chama perdida, fui corpo sem ser amado, fui odiado, esquecido.


Eu já fui a tristeza, a felicidade, já fui o espelho da dor. Já fui noite, dia e madrugadas. Já fui Tempo, o meu e dos outros. Já fui estradas infinitas, ruas sem nomes, fui destino.


 


Eu já fui certeza do que tenho sido... Fui estas palavras que permanecem nesta folha branca.


publicado por Ejamour de Carvalhais às 09:15
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1 comentário:
De Anónimo a 20 de Junho de 2005 às 09:24
nós já fomos tanta coisa... nós já poderíamos ter sido tanta mais... esquecemo-nos por vezes do que somos agora. disso é que nos devíamos lembrar e ñ desistir de lutar... Lost in Space
(http://www.rainhadovazio.blogspot.com)
(mailto:helenaetrusca@msn.com)


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.Autor:Ejamour de Carvalhais

Não sou poeta, nunca fui, nunca desejei sê-lo. Sou apenas amante das palavras... Nesta folha negra deposito o que a minha alma me diz ao ouvido. Voz singela, de veludo, encanto que sinto a devorar-me o corpo. Rendo-me a simplicidade sentida da minha Alma, Fé, Essência que me guia na luz do amor. (Obrigado pelas visitas e comentários...)

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