Sexta-feira, 30 de Setembro de 2005

Uma viagem no Tempo.

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Uma viagem no Tempo. De volta a terra batida, das mães que lavam a roupa na correnteza do rio. Dos meninos que dançam a volta da fogueira escutando histórias de antigamente, de sereias que beijavam vidas destruídas, modificando-as para o bem. Dos filhos que perderam os pais, dos pais que perderam os filhos. Das casas construídas de telhado de zinco e pau de bambú. Das crianças inventando brinquedos de uma infãncia destruída, limpando lágrimas de um rosto que esconde a dor de um Tempo esquecido no canto da memória. Do luar que tem outro sorriso, das estrelas que têm outro brilho, a terra outro cheiro, a chuva outra música.


Das pessoas que se comprimentam na rua sem se conhecerem, das árvores a berma da estrada repletas de cores e brilhos, troncos pintados. Dos bairros em festas, das igrejas entregues a fé. Das dificuldades vencidas com um sorrisso. Do Tempo que passou nas asas do esquecimento. Nos rádios as músicas trazem a memória de um Tempo que fora cruel, ou não. De um Tempo rendido ao próprio Tempo. De um Tempo presente.


Das infâncias, dos jogos de futebol com bolas de trapos... Trapos esses apanhados na lixeira. Do arco-íris cortando o Céu dias seguidos. Dos mares como feitiço, da areia molhada, das dunas desafiando o forte vento. Dos pescadores em alto-mar, candeeiros acesos iluminando o mar. Cânticos tristes de pescadores puxando redes, mas com olhares de esperança. Teu filho é meu filho porque somos irmãos, de sangue, da terra, do Tempo e da esperança.


Amanhã seremos a aurora, um novo começar. Deixa esse desalento que amanhã Deus vem a tua porta. Outro dia nascerá, outro dia seguirá, filhos de outros dias, de outras noites.


 


A paz deve antes nascer dentro de nós para virar semente na terra, brotar e dar flores.


publicado por Ejamour de Carvalhais às 17:44
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Quarta-feira, 28 de Setembro de 2005

Amo-te mãe.

 


Lembraste mãe, daquela manhã pôs-parto, cinzenta, fria, sem arco-íris, sem Céu azul. Daquela manhã de vento, manhã de vento, manhã plena de janeiro. Pôs-parto, sempre me acompanhaste, sempre me falste do Tempo, de mim, de ti.


Lembraste, quando me perguntavas:"Como está hoje o meu menino?"


Lembraste do meu primeiro sorriso? Da minha inocência intocável, do meu coração feito de veludo, da minha alma recém-nascida plantada no Céu. Hoje estou aqui, sou apenas uma simples "testemunha" do que aconteceu naquela manhã pôs-parto... Manhã friorenta.


Lembraste mãe, quando me caiu o primeiro dente e chorei o dia inteiro. Disseste-me para atirar o dente para cima do telhado pois iria nascer novamente... Para mim tinhas sempre respostas para tudo. Lembraste, quando pela primeira vez fui para a escola e chorei com medo... Disseste-me que os Homens não choravam... Enganaste-me, pois ainda hoje choro as tuas lágrimas, as minhas. Uma ligação de mim para ti, cumplicidade no olhar, nos gestos. As tuas lágrimas moram no meu rosto, parece que tenho as mesmas rugas... Faltam-me os cabelos brancos, o Tempo que já viveste e vives, o Tempo que ainda vou viver...


Lembraste mãe, quando ganhei o primeiro brinquedo? De que cor eram as minhas lágrimas? Lembraste, quando perguntei-te o que era o amor. E tu respondeste:"É o que a mãe sente por ti..." Por isso digo: "Fui-me de ti, mas deixei-me ficar... Fui-me de ti mas trouxe-te, porque amo-te mãe..."


publicado por Ejamour de Carvalhais às 09:19
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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2005

Sem vitórias e sem derrotas.

Escrevi teu nome na areia molhada numa noite repleta de silêncio. Escrevi oferecendo ao mar o teu adeus sem palavras. Caminhei a beira-mar molhando meus pés, misturando meu corpo com o mar, junto as conchas, junto as algas marinhas. Percorri dunas, amanheci entregue somente a mim. Não sei por quantas horas, minutos, segundos o mar foi meu companheiro, confidente. Talvez o último guerreiro de uma batalha sem tréguas, sem vitórias nem derrotas. Não sei que é feito de mim se me perdi nessa noite ausente...


Escrevi poemas de amor enfeitiçado pela lua. Estrelas sorriram no alto dos Céus. Nuvens escondendo minhas lágrimas. Meus pés marcados na areia molhada, sem rumo, sem destino. Esse caminho é longo como a caminhada do rio. É incerto como a chuva que cai sem direcção. É mágico como uma noite de pirilampos, de luar beijando o mar.


Todas as frases são incertas quando perdemos o sentido de nós próprios.


publicado por Ejamour de Carvalhais às 12:16
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Quinta-feira, 22 de Setembro de 2005

Corpos...

Corpos despidos


Corpos torturados pelo prazer


dois corpos juntos fazendo um só corpo


sussurros no ouvido, unhas cravadas na pele


doce loucura, doce cobiça. Entrega total.


Há apenas o silêncio do amor. Numa simples frase.


Dá-me o teu corpo. Dá-me a tua loucura


e eu serei louco por ti neste momento que meu corpo


é teu corpo teu corpo é meu corpo.


 


 


publicado por Ejamour de Carvalhais às 12:40
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As cartas.

Cartas de amor rasgadas no chão levam o sentir de um coração que um dia perdera-se por amor.


Amor por alguém que não soube valorizar.


Os últimos retratos ainda permanecem. Os últimos momentos ainda persistem no báu da vida que são as memórias. Os dias são cinzentos quando se ama sem ser amado. As noites deixam de ser aconchegantes. A lua perde o sorriso, todos os sentidos resumem-se a nada.


Cartas de uma vida incompletas. Frases inacabadas jogadas ao tempo. Num canto do quarto pertences de uma alma. No rádio uma música oferece um momento nostálgico.


Fui de mim e das cartas que nunca terminei.


publicado por Ejamour de Carvalhais às 11:03
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Sábado, 17 de Setembro de 2005

Antes de ter sonhado.

As tardes que caem nos lagos azuis madrugadas que nascem nos olhares das borboletas. Pétalas espalhadas no chão arrastadas pelos braços do vento. Amargura de um coração que se entrega a dor de um sentir, não pedido, destruido como a tempestade quando destroi a terra...


Os sonhos das flores quando sentem o beijo do Sol. Abrem-se como uma rendição completa. Folhas de jornais espalhadas nas ruelas, molhadas pelas gotas de água que timidamente caem do Céu. Uma oração no silêncio das lágrimas. Um pedido. Alguém por ali passou sem ser visto. Alguém já viu uma alma? Esse recomeço de tudo que fora o passado, ausente, distante. No seu silêncio voa nas asas do tempo. Abrem-se os olhos da realidade numa tarde de um adeus que nunca fora dito... O passado mora do outro lado da rua, de uma rua sem nome.


Vem a chuva que se pede, caindo no seu esplendor. Não em todos os lugares, mas algures. Não aqui que abro os braços e espero ardentemente esse beijo que foi num sonho que morreu antes de ter sonhado.


 


Se canto a música da chuva as flores sorriem.


 


publicado por Ejamour de Carvalhais às 13:08
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.Autor:Ejamour de Carvalhais

Não sou poeta, nunca fui, nunca desejei sê-lo. Sou apenas amante das palavras... Nesta folha negra deposito o que a minha alma me diz ao ouvido. Voz singela, de veludo, encanto que sinto a devorar-me o corpo. Rendo-me a simplicidade sentida da minha Alma, Fé, Essência que me guia na luz do amor. (Obrigado pelas visitas e comentários...)

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