Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Sede

 (foto retirada da net)

Bebo da chuva

a sede que tenho

cicatrizes como raizes,

uma borboleta adormece

no orvalho que madrugamente

beija as folhas verdes.

Cores penetrantes,

cinzento do Ceu

misturando-se com o sol

de outono, esperando

pelo frio de Janeiro.

Casacos num guardafato,

cheirando a naftalina, espelhos

quebrados, supersticao e maldizeres

destino como porta acorrentada,

chaves atirada ao mar. Beijo nunca esquecido,

ficou o sabor da carne,

pecado cometido, um terco envelhecido.

Vou partir, mas antes deixarei uma frase

no olhar da chuva:

"A leveza do amor 'e como uma pena

que um passaro inocentemente

perde no beijo do vento..."

sinto-me: comigo mesmo

publicado por Ejamour de Carvalhais às 20:02
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Domingo, 25 de Outubro de 2009

Neve de paixao

(foto retirada da net)

 

 

Neve no teu quintal,

derretem-se

coracoes de gelo

Gotas de agua fria

nas flores do teu jardim.

Cristais na tua janela, teu

rosto, pintura de uma tela.

Cai a neve misturando-se

com a semente de uma

arvore que faz amor com

o vento. Pes descalcos,

Siberia no teu quarto.

Cai a neve como o voou de uma

pomba branca, passos de um gato

no silencio da noite, corpo gelado

na tua cama de lencois transparentes.

Toma o meu corpo

faz de mim uma fogueira

para nos aquecer

a alma.


publicado por Ejamour de Carvalhais às 19:17
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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Nesta folha negra

Eu sou imbondeiro.

Sou povo...

Sou deserto

nesse mar imperfeito.

Eu sou selvagem,

sou a danca da chuva

na terra seca e arida.

Eu nao sou guerras tribais,

interesses politicos,

conflitos religiosos, muros

sagrados de Jerusalem destruidos.

Minha alma 'e de paz.

Sou a poesia de uma flor

que se abre ao mundo,

espinhos afiados de uma roseira,

contradicao?

Mistura imperfeita da condicao humana.

Eu sou as arvores das florestas da liberdade,

um relogio sem hora marcada.

Eu sou soldado com arma de

madeira de uma patria sem nome.

Eu sou tu, meu irmao,

que amargamente

te escondes na solidao da vida,

momentaneamente sorrindo

para felicidade.

Sou corpos estendidos

nas ruelas da esperanca,

madrugadas sonhadoras.

Eu sou como o

pecado de um monge

encurralado nas paredes

do amor.

 

 

imbondeiro=arvore de grande porte

existe particularmente em Angola


publicado por Ejamour de Carvalhais às 16:31
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Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Momento divino

Ancora perdida

neste mar sem nome de

imensos segredos por

detras da verdade.

Angustiado,

insaciado,

corpo sem sombra debaixo

de um candeeiro numa rua deserta

de emocoes, de janelas abertas

a solidao.

De volta a casa da perdicao

interior, uma constante busca

do Eu...

Sensacao sentida de estar sozinho

neste gingantesco mundo aonde a chuva

do amor se recusa a cair.

Simplicidade sentida num retrato

de lagrimas escondido debaixo da cama.

Velas acesas, uma biblia aberta

Salmo 13...

A busca da ajuda divina neste

quarto vazio, coracao perdido

no passado, templos sagrados

em ruinas.

A verdadeira essencia da palavra

reside no conhecimento interior

valorizando a aceitacao do bem.

sinto-me: Pensativo

publicado por Ejamour de Carvalhais às 16:15
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Domingo, 18 de Outubro de 2009

Se por um momento

 (foto:Jamour)

 

Neste lugar sem ti

na mesma hora, no mesmo momento,

se eu fosse a ti nao fugiria

nem recusaria o meu amor.

Eu lutaria,

eu ficaria ate ao fim dos meus dias.

Eu amava-me ate nao puder mais,

ate sentir o veludo da minha alma

cobrir-te o corpo do frio solitario.

Se eu fosse a ti nao me deixaria

chorar, nem viver fora do teu coracao,

ao relento do vazio e sem medo,

entregava-me a mim.

Se tu fosse eu por um momento

sentirias o quanto eu amo-te

e saberias porque 'e que

nao me tenho a mim

e nao te tenho a ti.

 

 

 

sinto-me: So

publicado por Ejamour de Carvalhais às 13:43
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Sábado, 17 de Outubro de 2009

Poemas dentro de mim

Eu tenho poemas dentro de mim

diferentes sentimentos,

um diario de amor

com rostos invisiveis, frases

soltas, adormecidas como o

fogo que arde sem cessar.

Tenho poemas dentro de mim como

espadas afiadas de anjos revoltados,

Ceu claro, noites de temporais,

mortalidade sentida, momentos vestidos

de emocoes.

Poemas como arvores

de galhos fortes, raizes musculadas.

Eu tenho dentro de mim

tanto faz de dia ou de noite

poemas que nunca

cheguei a escrever.


publicado por Ejamour de Carvalhais às 15:03
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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Idade do Tempo

Na idade do tempo

eu vejo a minha velhice,

intacto, finito, de sonhos mortais

na cobica de um destino incognito.

Sou o que sou...

Um corpo sem a musicalidade de um

violino sem cordas, amante de mulheres

perdidas na solidao...Coleccionador de lagrimas

vazias.

Outrora um sorriso num retrato

de intensa felicidade...Hoje o rosto

enrugado, o corpo seco, aspero de um tempo

passado, de um presente solitario

esperando pelo o anjo da morte num beijo

suave mas longo.

 


publicado por Ejamour de Carvalhais às 15:02
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Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Carta sem destino

(Foto:Jamour)

Esta frio.

Sinto-o nos ossos arrepiando

a minha pele.

Saudades dos banhos

de chuva de agua quente. Das mulatas

do meu bairro, coracoes de areia,

primeiro beijo,

primeiro amor,

a semente do sexo

lancada ao vento.

Conselho do mais velho:

"Nao entrega o teu amor

a quem nao te merece..."

No primeiro verso de amor

depositei o meu sentir na correria

do rio. Sereias vestidas de branco,

feiticeiras do mar profundo,

pele suave como petalas, conchas

como brinco, corpos de deusas despidas

a luz de uma fogueira.

Esta frio,

oico o solucar de um anjo

de asas atadas a solidao, perdido

de mim, distante do meu lugar

envio uma carta sem destino,

frases incompletas,

indecifraveis de onde

sobressai:

Amor romantico.


publicado por Ejamour de Carvalhais às 15:55
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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Deus de Paz

Rostos cobertos de negro,

sobressaem olhos vivos.

Velas acesas espalhadas

no chao sagrado.

(foto:Jamour)

O teu Deus 'e a tua paz.

Fruto divino que te alimenta

a alma. Porque matas o teu irmao

em nome de Deus se a tua patria

'e de uma bandeira branca icada ate ao

Ceu.

Momentos fingidos albergam

sentimentos de puro odio.

O hoje nao tem olhos para o amanha.

Crencas indignas,

escrituras deturpadas,

vazio humano como o arranha-ceus de uma

cidade que vive com medo do proprio medo.

Desencanto,

refugio amargo de um monge,

separacao do trigo e do joio,

fomentando a violencia

de um Deus de paz.

sinto-me: Vivo

publicado por Ejamour de Carvalhais às 16:35
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Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Na minha cidade

(Foto retirada da internet.Benguela.)

Na minha cidade  ha sorrisos desenhados

a carvao nos muros brancos.

Ha a poesia no andar das mulher

encanto divino, feminino.

Ha bairros,ruas simbolizando a

sobrevivencia, ha o luxo e a miseria,

diferentes racas, credos e religioes.

Ha a terra batida, pes descalcos,

manhas magicas anunciadas

por galos. Arvores a berma da estrada, quintais aconchegantes,

vidas agitadas.

Ha sonhos e desilusoes, igrejas como conforto,

ha rios que fazem poemas de amor no meio das montanhas dedicados ao mar. E quando a lua se despe a luz das estrelas sereias

fazem amor a beira-mar .

Na minha cidade ha lugares que nao tem agua, electricidade, escolas sem professores, hospitais sem condicoes, casas sem tectos, burocracia como o pao de cada dia...

Ha sonhos interrompidos pelas vicissitudes da vida,

ha a delicia dos frutos tropicais, riqueza do mar que nos abraca, ha lagrimas que caem como a chuva, coracoes

perdidos, na amargura do quotidiano.

Quem me dera que um dia a minha cidade

acordasse como um poema de amor sem Fim.

 

Benguela - Cidade de Angola

sinto-me: nostalgico
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publicado por Ejamour de Carvalhais às 15:24
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Terça-feira, 6 de Outubro de 2009

Observacao!!!

Pedacos de folhas secas espalhadas

no chao, incompletas de uma arvore

despida a merce do tempo.

Neste jardim, rodeado de bancos de madeira, voam borboletas, passaros, vozes humanas.

Baloes de varias cores enfeitam o Ceu cinzento, criancas soltando gargalhadas

interrompidas pelo latir de um cao.

Rua comercial, lojas de diversos produtos, consumo

constante, alguem com um mapa na mao pergunta

num ingles misturado com espanhol:

Tu conoces? no?

Thank you, muchas gracias.

Correria infernal perdendo tempo para nos

mesmos, porque tentamos viver depressa demais.

Do outro lado da rua, o mar mostra a paz do tempo,

num vai-vem incessante, contagiante, silencio

no pensamento.

Amanha sera outro dia.


publicado por Ejamour de Carvalhais às 16:55
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Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Ate no amor...

Nao te quero...

Porque nao me quero

magoado.

A cor da minha pele

criou no nosso mundo montanhas

de monstros invisiveis, aonde o amor

morre antes de nascer.

Quando o sonho torna-se impossivel

o melhor 'e deixa-lo na imortalidade do pensamento.

Um mar de emocoes,

de verdades e mentiras,

relacoes inacabas.

Quero amar-te...

Tocar-te... Na tua pele branca

aonde a minha negritude se perde.

Mistura de cores,

dia e noite ao mesmo tempo,

sol e luar na mesma hora,

corpos celestiais

noturnos invandindo madrugadas.

Neste campo de linho mais puro,

eu quero ser o verde das planicies,

misturando-me na poesia do dia,

maresia,

controversia,

ondas de amor e odio,

sentimentos ambiguos, vagos e solitarios,

desdem sentido,

ate no amor.

 

 

sinto-me: Real
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publicado por Ejamour de Carvalhais às 16:32
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.Autor:Ejamour de Carvalhais

Não sou poeta, nunca fui, nunca desejei sê-lo. Sou apenas amante das palavras... Nesta folha negra deposito o que a minha alma me diz ao ouvido. Voz singela, de veludo, encanto que sinto a devorar-me o corpo. Rendo-me a simplicidade sentida da minha Alma, Fé, Essência que me guia na luz do amor. (Obrigado pelas visitas e comentários...)

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