Quinta-feira, 29 de Abril de 2010

Que fazer...

Que fazer

das lutas intensas

completas, constantes.

Desistencia, nao cai na terra

que os meus pobres pes pisam.

a distancia tao perto,

que o longe envergonha-se

de olhar-me nos olhos.

Nas veias, corre o rio

da esperanca, das portas

que se abrem, das janelas

semi fechadas, dos rostos

enrugados que me olham

nos sonhos que nao me deixam

dormir.

'E daqui que parto,

deste lugar vazio atado ao

meu corpo, de pele seca. Cresce-me

a barba a branca, a dureza da vida

que se deita na minha cama.

Cinzento 'e o Ceu, assim como

os olhos que choram lagrimas como

rios de aguas negras, deixo ficar no

espelho a minha frente a palma da minha

mao marcada, depois de um banho que me

tira o cansaco de um dia mas da-me

o vazio como cobertor.

Que fazer de mim?

Que fazer de n'os?

Que fazer, se nao me quero assim.

Deixo um beijo na petala que se despede da roseira.


publicado por Ejamour de Carvalhais às 12:50
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Terça-feira, 6 de Abril de 2010

As maos que o vento levou.

As maos desapareceram no vento. A cor da pele misturou-se com a noite, estrelas adormeceram nos tristes olhos afogados nas embarcacoes de viagem sem  retorno, vidas como bilhetes de passagens. Destino incerto nas aguas turvas, corpos marcados, tratados como propriedades, familias separadas, leiloadas a sombra do chicote. Meu irmao partiu, nao ficou um adeus, minha mae escondeu as lagrimas, meu pai desapareceu na escuridao, homens armados assim o levaram.

Canto a liberdade para esquecer a saudade. O passado ficou do outro lado da margem, como uma casa vazia. Os dias nao terminam, as noites sao curtas, no chao o meu corpo deitado, amargo, dorido, ferido, atado a corrente da escravidao. Sem identidade, destruido por dentro como as aldeias que

ficaram do outro lado do oceano.

Eu vivo a vida a merce  de  castigos que me ferem a alma, despojado de

dignidade. Manto de dor que me cega, mergulho no silencio e no consentimento de que um dia volte a voar como os passaros da minha planicie

(foto retirada da net)

Eu sou escravo do meu corpo, da minha vida que nao me pertence, tendo nas correntes o terco de sobrevivencia. Humildemente interrogo-me, sem resposta deixo-me ficar, pedindo a morte que me tire do sufoco, da humilhacao.

Do castigo, por respirar, por ser diferente, por ser nada e tudo aos olhos de quem me tem nas masmorras da solidao. O eco da revolta semea em mim raizes da liberdade.


publicado por Ejamour de Carvalhais às 12:28
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.Autor:Ejamour de Carvalhais

Não sou poeta, nunca fui, nunca desejei sê-lo. Sou apenas amante das palavras... Nesta folha negra deposito o que a minha alma me diz ao ouvido. Voz singela, de veludo, encanto que sinto a devorar-me o corpo. Rendo-me a simplicidade sentida da minha Alma, Fé, Essência que me guia na luz do amor. (Obrigado pelas visitas e comentários...)

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