Sábado, 7 de Maio de 2005

Uma noite longa...

"...Mesmo sabendo que o meu coração é um mar

de amor, tu fechas a porta da tua vida?"


No meio da noite, um corpo se mistura, entrega-se sem rodeios. Nesta noite sem mim e sem ti, vagueando na escuridão da alma.


Um manto de solidão atravessa-me o corpo, tirando de mim o que resta de um minuto de felicidade, algo único que sinto nesta noite que tirei um momento para pensar em mim. Nunca pensei em mim, tenho reservado tudo para outras vidas, outros amores. Outros sentires.


Pedem-me que escreva de amor…


Pedem-me que ame. Que chore outras lágrimas. Que grite a minha revolta, a minha dor.


Pedem-me abraços, beijos e sentimentos de afecto.


Pedem-me a alma e prometem que me devolvem.


Pedem-me juras de amor, promessas, lágrimas soltas com frases ternurentas.


Pedem-me sorrisos, a minha mortalidade em nome do amor. Pedem-me a minha essência… E depois o que terei?


Nesta noite mágica, neste silêncio único, uma música soa no rádio, cai uma lágrima. Há lágrimas com nomes… De tanto amor mas a recusa persiste, existe. O sonho desvanece.


Tornando-se cinzas...


Atravesso ruas com nomes, paro o corpo junto a uma roseira, pétalas no chão, folhas secas arrastadas pelo o vento, minha sombra sem sombra, á muito que o meu corpo já não me pertence, talvez nem a vida. Sinto-me como um rio estagnado que perdeu o seu caminho, ou uma andorinha que o vento destruiu o seu ninho. Mantenho-me ali horas a fio, tentando pensar em mim. Não sei o que penso em mim, não tenho jeito para pensar em mim. Assusto-me…


Nunca procurei por mim, mas nesta noite olhei para mim e não me vi, não me senti. Que é feito de mim? Aonde estão os meus pedaços? Aonde estão as linhas que compõem o meu corpo, a minha vida. Só sinto lágrimas como num dia de chuva. Não posso ter pena de mim… Seria a minha completa derrota.  


A noite vai longa, uma simples noite que tentei pensar em mim, apenas em mim, num momento que pensei que fosse meu, único em toda a sua simplicidade.


Dói-me o peito, uma dor inexplicável, mas sentida porque choro por dentro. Choro quando penso em mim. Esta noite é minha… Não é dos anjos, das estrelas, do luar, é minha porque tirei esta noite para pensar em mim…


 


Aonde tenho estado este tempo todo?


 


 


publicado por Ejamour de Carvalhais às 11:35
link do post | comentar | favorito
|
2 comentários:
De Anónimo a 10 de Maio de 2005 às 04:49
Lindo, muito sentido, e sincero. As duvidas que nos surgem tantas vezes, quando nos apercebemos que demos tanto, e recebemos tão pouco....beijos!margarida_rr
(http://blogdaloura.blogs.sapo.pt)
(mailto:rute:rolo@gmail.com)


De Anónimo a 7 de Maio de 2005 às 18:02
Jaime .. está na hora de começar e nunca tenhas pena de ti... és um ser humano excepcional do pouquinho que ainda de ti conheço...tens muito dentro de ti para alguem especial.. falta é encontra la... mas ela anda por ai!!!!! beijinhos.sansra
</a>
(mailto:mimosamargarida@hotmail.com)


Comentar post

.Autor:Ejamour de Carvalhais

Não sou poeta, nunca fui, nunca desejei sê-lo. Sou apenas amante das palavras... Nesta folha negra deposito o que a minha alma me diz ao ouvido. Voz singela, de veludo, encanto que sinto a devorar-me o corpo. Rendo-me a simplicidade sentida da minha Alma, Fé, Essência que me guia na luz do amor. (Obrigado pelas visitas e comentários...)

.pesquisar

 

.Abril 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.A voz da alma

. Abraço não sentido

. Diferente

. O teu nome

. Eu a ti, pertenço

. Até amanhã

. ... E no natal.

. Eterno

. Um poema só teu.

. Sedução

. Um tempo