Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2006

O silêncio das árvores.

 

 


Caminho, no silêncio da madrugada sentida. Sinto o frio a entranhar-me o corpo, tocando-me nos ossos. Invade-me um arrepio. Sem vento as árvores nada dizem, têm as folhas mudas. As madrugadas têm outro sentir, uma estrela cadente invadindo, o Céu de uma noite que foi apenas mais uma noite. Passeio pelas ruas desertas, como que se fosse o único habitante deste planeta.


Estou só… Há muito que me sinto assim... Como uma árvore perdida, despida na planície longínqua.


O silêncio das árvores, numa madrugada singela, neste novo recomeço da vida, deve ser sentido. O cântico de um pássaro, o latir de um cão, enfim alguém atravessa junto a mim, a mesma estrada com que se deleita a vida. Tenho-me somente a mim e estas palavras que me saem de dentro, nesta madrugada, junto ao silêncio das árvores.


 


 


04 de Janeiro de 2006 as 06.30 da manhã


publicado por Ejamour de Carvalhais às 14:28
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11 comentários:
De Anónimo a 5 de Janeiro de 2006 às 20:34
E sabe tão bem ouvir o silencio...posso mergulhar nele uma eternidade e ao voltar sei que nada ficou por dizer...beijos.Lagoa_Azul
(http://www.lagoaazul.blogspot.com/)
(mailto:bomdialagoaazul@gmail.com)


De Anónimo a 5 de Janeiro de 2006 às 19:26
Olá Jamour. Nos dias/entram dúvidas e pesadelos/terrível solidão de certas horas/um coração abandonado na dor/mas.../existe a mágica vontade /de sentir o sol navamente a sorrir...

UM ANO 2006 MARAVILHOSO!!!

BeijinhosBetty Branco Martins
(http://bettybrmartins.blogspot.com)
(mailto:betty_martins@net.novis.pt)


De Anónimo a 5 de Janeiro de 2006 às 12:18
Uma lâmina de ar

Atravessando as portas. Um arco,

Uma flecha cravada no outono. E a canção

Que fala das pessoas. Do rosto e dos lábios das pessoas.

E um velho marinheiro, grave, rangendo o cachimbo como

Uma amarra. À espera do mar. Esperando o silêncio.

É outono. Uma mulher de botas atravessa-me a tristeza

Quando saio para a rua, molhado, como um pássaro.

Vêm de muito longe as minhas palavras, quem sabe se

Da minha revolta última. Ou do teu nome que repito.

Hoje há soldados, eléctricos. Uma parede

Cumprimenta o sol. Procura-se viver.

Vive-se, de resto, em todas as ruas, nos bares e nos cinemas.

Há homens e mulheres que compram o jornal e amam-se

Como se, de repente, não houvesse mais nada senão

A imperiosa ordem de (se) amarem.

Há em mim uma ternura desmedida pelas palavras.

Não há palavras que descrevam a loucura, o medo, os sentidos.

Não há um nome para a tua ausência. Há um muro

Que os meus olhos derrubam. Um estranho vinho

Que a minha boca recusa. È outono.

A pouco a pouco despem-se as palavras.

apaixonada
(http://deusadoprazer.blogs.sapo.pt)
(mailto:apaixonada_1@sapo.pt)


De Anónimo a 5 de Janeiro de 2006 às 12:14
A verdade é que nesse silêncio tu vais encontras respostas. São as respostas ás perguntas que por momentos nos parecem kase impossiveis de serem respondidas. O segredo e a magia é mesmo esse buscar respostas aos nossos receios nesse silêncio...SM
(http://www.certosmomentos.blogs.sapo.pt)
(mailto:sm@hotmail.com)


De Anónimo a 5 de Janeiro de 2006 às 11:57
Olá Jamour...segui seu comentário no blog de uma amiga ...entrei li e gostei ...voltarei mais vezes com certeza ...seu texto mostra que vc é uma pessoa extremamente sensível...e o exemplo da arvore para exprimir sua solidão é simplesmente fantastico...amei ...bjos SEDASeda
(http://tokdeseda2.zip.net)
(mailto:carolinap_m@hotmail.com)


De Anónimo a 5 de Janeiro de 2006 às 02:20
Muitas vezes é preciso deixar que o silêncio cale fundo em nossa alma, para que possamos ouvir sua voz. Nesse começo de ano venho externar os votos de que 2006 seja tudo aquilo que você deseja que seja, e que certamente irá procurar realizar, pois os sonhos não se fazem sozinhos. Beijos e afagos, no carinho de sempre.Mily
(http://calunguinha.blogs.sapo.pt)
(mailto:calunguinha13@hotmail.com)


De Anónimo a 4 de Janeiro de 2006 às 23:20
Gostei da magia do silêncio e de uma escrita depurada e emotiva.digoeu
(http://folhasoltas2.blogs.sapo.pt)
(mailto:digoeu@sapo.pt)


De Anónimo a 4 de Janeiro de 2006 às 22:56
O amor (ou a sua falta) acontecem. A é feita de altos e baixos, como um carrocel. Sempre que se está em baixo não se deve desesperar porque se voltará a subir, quem sabe se mais alto que antes... Um Bom Ano Novo!Louco por ti
(http://loucoporti.blogs.sapo.pt)
(mailto:jmartinsdocabo@sapo.pt)


De Anónimo a 4 de Janeiro de 2006 às 22:49
Absolutamente deliciosa e profunda a tua escrita, adorei ler-te no silêncio das tuas palavras, gritantes de sensibilidade. BeijosMagia
(http://outrapartedemim.blogs.sapo.pt)
(mailto:perlimpimpins@sapo.pt)


De Anónimo a 4 de Janeiro de 2006 às 15:19
Vim com a minha "gémea" Marota... ah... eu era capaz de apostar em como ela já escreveu algo assim parecido... Belo o teu texto... Gostei. ;)Poesia Portuguesa
(http://portuguesapoesia.blogspot.com/)
(mailto:portuguesapoesia@sapo.pt)


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.Autor:Ejamour de Carvalhais

Não sou poeta, nunca fui, nunca desejei sê-lo. Sou apenas amante das palavras... Nesta folha negra deposito o que a minha alma me diz ao ouvido. Voz singela, de veludo, encanto que sinto a devorar-me o corpo. Rendo-me a simplicidade sentida da minha Alma, Fé, Essência que me guia na luz do amor. (Obrigado pelas visitas e comentários...)

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