Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2005

O tempo que procuras...

A porta estava aberta, junto a porta vasos de plantas que resistem ao tempo. Flores embriagadas pelo sorriso das crianças. O véu num rosto, um sentir guardado. Esse tempo que procuras só pode ser teu. Preserva-o.


Dentro da casa, na sala, retratos fixados na parede. Móveis meticulosamente arrumados. Nos quartos, camas desfeitas de uma noite de sonhos. As crianças passeiam no enorme quintal, nas brincadeiras diárias, brincadeiras inocentes, infantis.


É hora do pequeno-almoço, um beijo no rosto, um afago no cabelo. Uma mão deliciosamente limpa as lágrimas de uma das crianças que aleijou-se sem querer. Um corpo cansado das mágoas que a vida conheceu. No chão de um dos quartos um tapete bordado com a palavra amor. Esta magia ao acordar e sentir nos pés o amor entranhando no corpo, beijando a alma sofrida. Este corpo conheceu a dor tão cedo que se misturou com a dor, que se entregou com as fibras do tempo.


Uma das crianças chama insistentemente pela mãe. A mãe olha-a, sem responder a criança diz:” mãe tens um olhar bonito… “ A mãe sorri, beijando-a no rosto respondendo o afecto:… “ filha tu também és linda e sabes que mais todos nós somos lindos se soubermos aceitar os outros como eles são, se soubermos abraçar os nossos inimigos, se soubermos alimentar a paz, se soubermos afagar as almas dos nossos amigos quando eles choram a tristeza do tempo. Todos nós somos lindos se soubermos olhar os outros sem indiferença. Se soubermos encarar a vida como a vida nos encara.


A criança sem hesitar diz: “ mãe vês porque é que eu disse que tu és linda…   


publicado por Ejamour de Carvalhais às 09:08
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6 comentários:
De Anónimo a 8 de Dezembro de 2005 às 17:49
Pois é, uma bela historia, muito bem escrita, ternurenta e real, diferente (levemente) do que o autor nos tem brindado.Mas na minha modesta opinião, mais rica, e mais bonita.Sem quere me repetir, acho que estás no caminho certo...tb se não gostasse, sabes que te diria....pi
(http://www.olharemtonsdemaresia.blogspot.com/)
(mailto:piedadesol@sapo.pt)


De Anónimo a 8 de Dezembro de 2005 às 11:18
um pouco diferente do habitual aqui mas, ainda e sempre, o amor acima de tudo...
mto bonito ***Lost in Space
(http://www.aquelelugarperdido.blogspot.com)
(mailto:etrusca@gmail.com)


De Anónimo a 7 de Dezembro de 2005 às 23:31
Um texto bonito, com pedagogia e ensinamento. Beijinhos.Maria do Céu Costa
(http://www.maisquepalavras.blogs.sapo.pt)
(mailto:mariaceucosta@sapo.pt)


De Anónimo a 7 de Dezembro de 2005 às 21:30
Bonita esta tua estória,sentida e repartida para toda a gente, que gostaria de ser criança e amar tão ternamente.Beijinhos
MariaIIMaria
(http://vahalla.blogs.sapo.pt)
(mailto:Mariam12@sapo.pt)


De Anónimo a 7 de Dezembro de 2005 às 15:08
Criança um dia fomos e um dia seremos, mas ser todos dias...eu quero ser! Bonita viagem, abraçoLaços...
(http://fly4you.blogs.sapo.pt)
(mailto:arquitectura@escala-urbana.pt)


De Anónimo a 7 de Dezembro de 2005 às 11:56
Uma cena familiar que você soube tão bem descrever! O olhar da filha para a mãe, traduzido no elogio... sua resposta em lições de vida... tão bonito isso! Amei o detalhe do tapete no quarto, com a palavra AMOR, fazendo o dia já nascer inebriado desse sentimento que se entranha no corpo através dos pés... linda imagem! Um beijo carinho do meu para o seu coração, e os votos de uma quarta-feira iluminada de esperanças.Mily
(http://calunguinha.blogs.sapo.pt)
(mailto:calunguinha13@hotmail.com)


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.Autor:Ejamour de Carvalhais

Não sou poeta, nunca fui, nunca desejei sê-lo. Sou apenas amante das palavras... Nesta folha negra deposito o que a minha alma me diz ao ouvido. Voz singela, de veludo, encanto que sinto a devorar-me o corpo. Rendo-me a simplicidade sentida da minha Alma, Fé, Essência que me guia na luz do amor. (Obrigado pelas visitas e comentários...)

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