Segunda-feira, 25 de Outubro de 2004

Gato

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Sou um gato preto como a noite cerrada, mas os meus olhos brilham como as estrelas. Pela cor do meu pêlo sou muitas vezes rejeitado, dizem que dou azar. Algo que não percebo, pois sou igual aos outros gatos.
Cresci numa casa velha, ao pé de uma árvore que está a perder as folhas. Assusto-me facilmente com tudo que seja movimento, mas não me assusto com a noite pois sou igual a ela. Ando perdido… Quando era mais novo, miava à procura da minha mãe, alimentei-me nos contentores à berma da estrada, sobrevivo ao vento, a chuva, e todos os dias tento sobreviver quando atravesso a estrada.
Em cima dos muros, ou nos telhados, observo o vaivém das pessoas, dos carros, assisto aos beijos dos amantes em plena noite, oiço o sussurrar do vento, a voz da noite que me conforta. Mas quando me atravesso à frente de alguém, oiço: credo!!!
Eu nem sequer sei o meu nome.
Hoje está calor, sinto o pêlo quente e o telhado também. Tenho de levantar-me e como sempre, preciso de ter sorte ao atravessar a estrada, preciso de encontrar algo que me encha o estômago. Ali ao pé das cabinas telefónicas há uns contentores em que alguém deixou agora mesmo um saco. Vou apurar os sentidos, mas antes preciso de me espreguiçar. Hum… como sabe bem… Se me atraso os meus vizinhos não deixam nada para mim. Que falta de consideração… É o salve-se quem puder.
Vou atravessar a estrada, espero safar-me, porque essa gente anda sempre com pressa. Todo o cuidado é pouco. Mas quando chegar ao contentor, toda a delicadeza será pouca.
Cheguei agora, que sorte a minha, não encontrei ninguém. Deixa-me apressar. Hum… Hoje capricharam. Vou voltar para onde pertenço, para os telhados envelhecidos

publicado por Ejamour de Carvalhais às 16:14
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1 comentário:
De Anónimo a 12 de Março de 2005 às 20:41
muito bonito, adoro gatos, e penso exactamente dessa formamarisa
</a>
(mailto:mayysa@hotmail.com)


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.Autor:Ejamour de Carvalhais

Não sou poeta, nunca fui, nunca desejei sê-lo. Sou apenas amante das palavras... Nesta folha negra deposito o que a minha alma me diz ao ouvido. Voz singela, de veludo, encanto que sinto a devorar-me o corpo. Rendo-me a simplicidade sentida da minha Alma, Fé, Essência que me guia na luz do amor. (Obrigado pelas visitas e comentários...)

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