Segunda-feira, 2 de Outubro de 2006

Alimentar o pranto...

(foto:Francesco Zizola )

Escrevo esta carta na esperança de que os "senhores do mundo" façam algo para diminuir o aumento da fome que se alastra na nossa aldeia... Uma aldeia desenhada nos corações de quem realmente faz de cada dia uma luta constante pela sobrevivência. A luta da fome num país mergulhado em guerra, a luta da fome onde a vida não passa de um adorno.

Na nossa aldeia, adormecemos e acordamos com o barulho das armas. De alguém que chora por falta de pão, de justiça, de todos os valores que se dizem humanos. Ouvimos a chuva em cima dos telhados de zinco, das nossas casas feitas de barro e bambu.

Não podemos cultivar mandioca, milho, goiaba, pois as minas ocuparam-nos a terra. A guerra tira-nos os hospitais, as escolas, semeando-nos o pânico nos nossos corações, levando-nos os sonhos e o que resta da nossa felicidade. Leva-nos a inocência e dá-nos a ausência. Nós não escolhemos a vida que temos, nem os dias e as noites que ouvimos uma mina, o som de uma bala, ou de alguém que morre sem ver a cor do mundo... Nascemos aqui privados de muita coisa... De brinquedos, de uma infância normal, privados de voar como um pássaro que anseia pela liberdade. Vivemos com medo do amanhã, do que nos espera a cada dia que passa.

Vivemos com medo das madrugadas que nascem silenciosas, das noites que se ouvem gritos de quem perdeu alguém.

Vivemos com medo de um dia acordar e não sentir o cheiro da terra, de nunca mais ver a cor do arco-íris. Mas enquanto há vida, há esperança, mas a voz da esperança tarda em se fazer ouvir onde o aumento da fome é uma certeza, a esperança um sonho adiado.

E todos os dias parecem ser os mesmos dias. O mundo parece que começa e acaba aqui.

Até que a esperança seja viva vou acreditar num amanhã diferente. 

Se alguém me ler espero que reflictam sobre o nosso quotidiano que faz o nosso pão de cada dia.

(texto inspirado na imagem)

sinto-me: Pensativo...

publicado por Ejamour de Carvalhais às 10:34
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6 comentários:
De Betty a 2 de Outubro de 2006 às 13:20
Querido Jamour.

Estou de volta!!!

Agora é uma visita rápida, estou mesmo só nas visitas, passarei um pouco mais tarde para te ler e comentar.

Beijinhos


De Bia a 2 de Outubro de 2006 às 16:10
Olá amigo,
Almocei com teu poema na cabeça, na realidade nem comi... As tuas palavras ficaram gravadas no meu pensamento, e volto a dizer-te: é triste as pessoas andarem preocupadas com coisas fúteis quando na realidade o mundo tem um problema bem maior que o nosso. Só de imaginar que existe centenas até mesmo milhões de pessoas que neste momento estão à chuva sem um tecto, que têm a barriga a roncar de tanta fome...faz-me chorar e ficar sem vontade de pegar em qualquer coisa para fazer ou comer. Mas teu poema vai ajudar-me imenso, nas alturas em que baixo os braços, em que tenho de voltar a ser picada, nas alturas em que sinto dor, eu vou lembrar das tuas letras e aí lembro que muitas pessoas choram e sofrem por muito mais do que eu. Obrigada por este bocadinho, é aqui que venho buscar as forças que me fazem erguer todos os dias.
Beijinhos com muita ternura.


De Princesa a 3 de Outubro de 2006 às 11:58
Hi Jam!
Vim deixar um abraço e deparo-me com o texto que me lembrou o desafio lançado ha um tempo aqui na blogosfera...só apetece gritar:

BASTA!!!

Beijinhos
Princesa


De Moonlight_Isabell a 4 de Outubro de 2006 às 15:32
Ola e desculpa a ausencia mas tem sido complicado com a vinda das ferias o trabalho é imenso. Realmente é uma realidade muito triste, esperemos um amanha diferente e muito melhor Beijocas e bom feriado.


De Afrodite® a 4 de Outubro de 2006 às 23:19
Vim deixar-te um beijo meu...
Ler vc mais uma vez... e arrepiei toda com o texto. parabéns...
venha até meu templo, ouça uma boa música e leia meu singelo poema... que tal?
;)


De Maria a 4 de Outubro de 2006 às 23:53
Abriste novamente uma ferida que sangra e nunca fecha,quando será que a esperança regressa? Um dia?Será a promessa real?Para quando a cicatrização?
Adorei o teu texto,apesar da alma chorar.
Beijinhos
Maria


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.Autor:Ejamour de Carvalhais

Não sou poeta, nunca fui, nunca desejei sê-lo. Sou apenas amante das palavras... Nesta folha negra deposito o que a minha alma me diz ao ouvido. Voz singela, de veludo, encanto que sinto a devorar-me o corpo. Rendo-me a simplicidade sentida da minha Alma, Fé, Essência que me guia na luz do amor. (Obrigado pelas visitas e comentários...)

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